Árvores Notáveis por Inayê Freitas
Essa zine é meu projeto de TCC da graduação em Publicidade e Propaganda. Eu queria poder fazer algo que tivesse ligação com o que eu gosto, fotografia e livros, a ideia surgiu da paixão por uma árvore perto da minha casa e formas de protege-la do corte que vinha acontecendo no bairro. Descobri um mapa de árvores tombadas no Rio de Janeiro e decidi fazer disso o meu tema principal, sai alguns dias para fotografar algumas árvores pelo Rio, foi muito divertido e inspirador, recomendo que se for possível você visite uma ou duas, se elas ainda existirem quando você descobrir essa zine... Deixo o texto que eu costumo mandar junto da zine, a parte teórica do TCC, eu queria poder chamar a publicação de zine, mas só me era permitido chamar de "Fotolivro": Esse projeto buscou documentar e preservar a imagem das árvores tombadas e com proteção de corte na cidade do Rio de Janeiro, utilizando o registro fotográfico como ferramenta. Por meio das fotografias e da construção do fotolivro, foi possível evidenciar a falta de responsabilidade do Estado em relação às árvores consideradas patrimônio da cidade. A reflexão teórica que se baseou nos conceitos de Susan Sontag e Boris Kossoy reforçou a fotografia como testemunho histórico e de memória coletiva. Como destaca Sontag em Sobre a Fotografia, “fotografar é reconhecer sua mortalidade” (2004, p. 15), e nesse projeto a afirmação é literal, as fotografias se tornam tentativas de imortalizar, mesmo as que já estão condenadas, a imagem e a memória dessas árvores. O fotolivro não apenas funciona como um arquivo visual físico, mas também incentiva um olhar mais atento para essas árvores no cotidiano. Por fim, o projeto convida a uma apreciação mais cuidadosa das árvores da cidade, que impactam diretamente não apenas a paisagem urbana, mas também o equilíbrio ambiental. Algumas das árvores fotografadas estão fadadas a desaparecer completamente, outras talvez resistam por mais cem anos. Como destaca Sontag “Uma foto é tanto uma pseudopresença quanto uma prova de ausência.” (Sontag, 2004, p. 26), e essas fotos continuam existindo mesmo depois de seu desaparecimento físico."